— Dante…
Ele recuou como se ela fosse veneno.
— Eu enterrei a mãe dos meus filhos acreditando que o pior da minha vida já tinha acontecido. Você conseguiu provar que eu estava errado.
Nunca vou esquecer o rosto dela naquele instante.
Algumas pessoas não suportam perder. Outras não suportam ser vistas sem máscara.
Bianca era dos dois tipos.
Ela virou para mim com uma fúria tão nua que finalmente parecia a si mesma.
— Você acha que venceu? Você era uma pobre coitada até eu encostar em você. Continua sendo.
Eu fui até ela devagar.
Tão devagar que dois policiais quase acharam que eu ia bater.
Mas eu só parei a um palmo do rosto dela.
— Não. Eu continuo sendo a mulher que você achou que podia humilhar porque confundiu silêncio com fraqueza. E esse foi o seu erro mais caro.
Ela me deu um tapa.
Na frente dos policiais.
Na frente de Dante.
Na frente do mundo inteiro que restava naquela sala.
Só que, dessa vez, minha mão subiu primeiro.
Segurei o pulso dela no ar.
Firme.
Sem pressa.
Sem esforço.
Bianca tentou puxar e não conseguiu.
Foi só então que o medo apareceu no rosto dela pela primeira vez.
Eu inclinei a cabeça e sussurrei para que só ela ouvisse:
— Agora você entendeu com quem mexeu.
Soltei o braço dela.
Os policiais a levaram enquanto ela gritava meu nome, o nome de Dante, o nome de qualquer um que ainda pudesse salvá-la da queda.
Ninguém moveu um dedo.
O silêncio que ficou depois foi quase bonito.