Ela entrou no salão principal impecável demais para uma mulher que acabara de passar por uma tentativa de invasão na casa do noivo. Vestia preto, mas não parecia assustada. Parecia irritada.
— Isso é um absurdo — disse, olhando para os agentes. — Vamos transformar a casa do Dante num circo agora?
Eu estava com a bochecha ainda marcada do tapa dela e um corte fino no braço da luta da noite anterior.
Bianca viu.
Sorriu.
— Parece que a babá finalmente serviu para alguma coisa.
Foi aí que um dos homens que eu tinha derrubado foi trazido algemado pela escada interna, escoltado pelos policiais.
Assim que viu Bianca, ele empalideceu.
E tentou desviar o rosto.
Quase funcionou.
Quase.
— Foi ela — eu disse, sem elevar a voz.
Bianca riu, alta demais.
— Você enlouqueceu?
O homem algemado fechou os olhos.
Eu me aproximei um passo.
— Diz para eles o nome que estava salvo no seu celular como “B”.
Ele não respondeu.
Dante então falou pela primeira vez desde que descera.
— Mostra.
Um policial tirou o aparelho do saco de evidências. Abriu a lista de mensagens. Havia transferências, horários, fotos do trajeto escolar dos gêmeos e uma frase enviada duas noites antes:
“Quero as crianças fora da casa antes do anúncio do casamento. Sem erro dessa vez.”
O salão inteiro congelou.
Bianca perdeu a cor.
Ainda tentou.
— Isso é montagem.
Mas então veio o verdadeiro golpe.
Porque o segundo invasor, o que eu derrubei junto à cômoda, decidiu negociar.
E falou.
Falou sobre o pagamento em parcelas. Falou sobre a ordem para simular um sequestro. Falou sobre o plano de levar as crianças para uma casa fora da cidade até que Dante assinasse uma procuração emergencial dando a Bianca poder sobre os negócios e sobre a tutela temporária, sob pretexto de crise familiar e instabilidade emocional do pai.
Foi tão repulsivo que até alguns dos investidores presentes na noite anterior, que ainda estavam na casa para reuniões do dia seguinte, recuaram como se o ar tivesse apodrecido.
Bianca virou-se para Dante.
— Amor, você sabe que isso não faz sentido. Eles estão mentindo. Essa garota armou tudo!
Dante não se moveu.
Nem piscou.
— Você bateu na mulher que salvou meus filhos na frente da minha casa — ele disse, a voz mortalmente calma. — E agora quer que eu acredite em você.
Bianca tentou tocar o braço dele.