O primeiro recebeu meu cotovelo direto na garganta antes de terminar de erguer a arma de choque. O segundo avançou, e eu usei o impulso dele para lançá-lo contra a cômoda. A madeira rachou, Helena gritou, Mateus acordou chorando, e eu senti a antiga ferocidade acender em mim como fogo antigo.
— Debaixo da cama! Agora! — eu gritei para as crianças.
O primeiro tentou se recuperar, puxou uma faca pequena da cintura, e errou por um triz meu abdômen. Eu segurei o pulso dele, torci até ouvir o estalo e bati a testa dele contra a parede.
O segundo veio pelas minhas costas.
Eu já esperava.
Girei, chutei o joelho, ouvi o ligamento ceder e o homem cair de lado com um gemido sujo. Peguei a faca do primeiro e a enterrei no colchão, a dois centímetros da mão do segundo.
— Mais um passo e eu arranco seu olho.
Eles congelaram.
Foi nesse momento que a porta explodiu e Dante entrou com dois seguranças armados.
Ele parou.
Olhou para mim.
Para um homem desacordado no chão e outro ajoelhado, segurando o joelho, com a faca tremendo perto da cara.
Para as crianças escondidas debaixo da cama, chamando meu nome.
E entendeu, enfim, o que eu era.
— Vivos — eu disse, sem tirar os olhos do invasor. — Quero os dois vivos.
Dante não perguntou como eu tinha derrubado homens treinados usando calça de moletom e pés descalços.
Só deu a ordem.
— Levem.
Quando o quarto esvaziou, Helena saiu debaixo da cama e se agarrou à minha cintura com tanta força que quase me derrubou.
Mateus veio logo depois, soluçando, e Dante ficou parado, vendo os dois me procurarem primeiro.
A verdade também dói quando não tem sangue.
Na manhã seguinte, a polícia chegou.
Bianca também.